Escritas de si, pinturas de si: (auto)biografias de Clarice Lispector

Bessa-Oliveira, Marcos Antônio
General

Nosso trabalho propõe tão-somente fazer uma leitura crítico-biográfica da produção pictórica –que se constitui de 22 quadros pintados, na sua grande maioria, entre os anos de 1975-76– e da produção literária de Água viva: ficção (1973) como escritas/pinturas de si da escritora Clarice Lispector. Como aporte teórico, valeremo-nos de estudiosos que contemplem essa relação entre literatura e pintura, bem como de estudiosos da crítica biográfica: Diana Klinger, Eneida Maria de Souza, Silviano Santiago, Leonor Arfuch, Jacques Derrida, entre outros, para estabelecermos a possível relação entre vida e obra nessas produções da escritora. Nesse sentido, pretendemos inscrever a produção artística dos 22 quadros, bem como o livro Água viva da artista Clarice Lispector, como obras que falam da própria escritora, e só assim será possível dizer que essa produção pode tratar-se de uma escrita de si e uma pintura que fala de si –Clarice Lispector– posto que entendemos, mediados pela crítica biográfico-cultural, que ali, nessas produções, têm-se marcas claricianas que nos permitem tal sugestão.